Sobre

Caros leitores,

Há uma história por detrás de tudo. Qual é a da Paloma?


Quando tento encontrar um princípio para o meu amor por narrativas, não sei bem onde o localizar. Talvez esteja na minha infância, algures entre os momentos em que o meu pai me contava a história da rainha dos caranguejos para me convencer a comer a sopa e os momentos em que encenava teatros com os meus bonecos. Ou talvez esteja nos primeiros filmes que vi…vivia-os tão intensamente que perduravam no meu imaginário. Transbordavam para as restantes esferas da minha vida e eu trazia-os para as minhas brincadeiras e sonhos.
A linha entre o imaginário e o real era ténue.

O ano que antecedeu a minha entrada na primária foi repleto de expectativa. Queria tanto aprender a escrever que tentava contar estórias num caderno através de símbolos inventados. No primeiro ano da escola primária, concluída a aprendizagem de todas as letras, estava tão entusiasmada para ler, que comecei logo dois livros ao mesmo tempo: “Uma aventura” e “A trinta diabos”. O suspense no encadeamento de eventos, o cheiro do papel, o envolver do contexto e personagens, a tranquilidade no silêncio da leitura que era preenchida pela algazarra da narrativa… Foi amor à primeira leitura! Era oficialmente uma apaixonada por livros.


Histórias são passaportes para aventuras, conexões, aprendizagens, vivências. A Paloma foi a forma que encontrei para exprimir a fusão que existe entre a ficção e a realidade, na minha vida. O meu sonho é conseguir que os leitores da Paloma sintam pelo menos uma fração da alegria que eu sinto ao criá-la.

Mas afinal… como foi o processo criativo da primeira história da Paloma? 

Em fevereiro de 2022, viajei até à Lapónia. Durante essa visita à Finlândia, tanta coisa me inspirou! Desde a neve ora fofa ora estaladiça, às fogueiras crepitantes, aos passeios por entre pinheiros e riachos silenciados pelo gelo. Naquele clima frio, o meu coração aquecia. Perante aquela beleza, magia trazia personagens. Pedaços de uma história à espera de ser contada flutuavam como peças de um puzzle, no meu imaginário. Guardei esses pedaços soltos, como quem coloca algo numa caixa para visitar mais tarde.


Em outubro desse mesmo ano, surgiu uma ideia, como um pássaro que pousa no ombro. E se as personagens escrevessem cartas umas às outras? 

Voltei a abrir a caixa, peguei nos pedaços oriundos da Lapónia e… mãos à obra! A Mariana e a Joana embarcaram na expedição comigo. A Mariana ajudou com o enredo e os aspetos empreendedores necessários, a Joana fez as ilustrações e, com o seu traço singular, fez com que o Reino Gelado das Auroras ganhasse cor e ternura. Depois de um corta e cose de personagens, papel, lacre, autocolantes, máquina de escrever e até papiro, nasceu “No Reino Gelado das Auroras”.

Em dezembro de 2022, era oficial! A Paloma tinha a sua primeira edição à venda. Foi, sem dúvida, um pinch me moment. Sessenta cópias foram vendidas por livrarias do Porto: a Salta-Folhinhas, a Flâneur e a Poetria. A Flâneur organizou um evento de lançamento da editora. O nosso professor de português dos tempos da escola moderou a apresentação no formato de uma tertúlia. À semelhança das suas aulas, envolveu e cativou toda a gente, presenteando-nos com a memória de uma tarde única.

Este é o “era uma vez” da Paloma… uma história que está apenas a começar!

Com carinho,

Beatriz

Scroll to Top